domingo, 17 de janeiro de 2016

As vestes de uma alma nua

A “fome” hoje em dia encontra-se muito maior que diversos sentimentos, como também de uma grande variedade de sensações. Desejo e anseios fortes ultrapassam limites comuns de corpos, mentes e também de espíritos mais frágeis. Pelo menos isso veio a se tornar algo habitual para uma grande maioria entre a humanidade, porém aquela pessoa é diferente.  Há muito mais a se conhecer em seu interior do que é possível se imaginar, verdade transborda de seu corpo tal qual o doce perfume escapa de uma caneca cheia de café fresco e quente.
Se fosse necessário comparar as pessoas com a grande e viva natureza, aquela em especial teria uma resposta minha rápida e direta, pois facilmente diria que ela seria como uma das grandes gargantas abissais do oceano selvagem, por também ser feita de uma profundidade avassaladora, cheia de belezas, mistérios e descobertas incríveis. É algo que dá para perceber ou até mesmo sentir apenas de olhar para aquela pessoa, tão fácil quando olhar para o céu é saber que por detrás de sua camada de pele recoberta por uma grossa linha de melanina existe um universo inteiro que é banhando constantemente em seu próprio oceano de sentimentos.
Também há uma escuridão fascinante por entres aqueles pequenos e escuros olhos, duas esferazinhas perfeitas de um tom negro lindo e hipnotizante, tal qual uma bela noite fria, contudo não se trataria de uma noite qualquer, mas sim de uma em que a lua fosse nova de forma que não existisse qualquer outra iluminação num céu coberto por nuvens, criando assim um turbilhão de segredos e encantos. E aquele sorriso de uma beleza radiante e forte como o sol, que dispara ondas de calor sem focar apenas numa direção, tomando conta de tudo e todos aos quais estejam ao seu alcance, distribuindo a essência bruta de sentimentos há tanto deixados de lado, de forma a contagiar com uma alegria estonteante, queimando medos cruéis, amarras frias de negação e mordaças azuis de insegurança.

Há muito no meio do pouco e naquela pessoa existe uma diferença absurda, era como se talvez o tempo tivesse se esquecido dela, deixando-a livre por entre as eras para que talvez significasse uma mudança, pois enquanto a maioria gigantesca ataca os corpos, despindo-lhes as roupas para lamber a carne e fazer as mentes e espíritos tremerem em loucuras escondidas, aquela pessoa vem em sua paz e despe a alma, revelando suas vestes de sentimentos e sensações, não apenas sua fome sem fim.