E ela correu. Correu
como uma bala que se afasta da arma de qual foi disparada. Correu como nunca em
sua vida, ao ponto de sentir o sangue encarnado pulsando com força em seus
ouvidos. A garota corria tanto que até poderia
devanear que o vento a empurrava, como se tivesse mãos invisíveis empurrando-a
para frente... Porém nada pôde salvá-la do homem que a perseguia.
Ela atravessou um
estacionamento frio e feio, quase sem carro algum, num misto de abandono e
desprezo, deixando-o com uma aparência perigosa e triste ao mesmo tempo.
Lágrimas torrenciais escorriam de seus olhos cor de mel escuro. Os cabelos,
agora desgrenhados e bagunçados, se debatiam como chicotes por causa do vento
congelante, o qual parecia perfurar os ossos.
O batom roxo escuro manchava até mesmo suas bochechas após o agarrado
furioso e faminto do homem que a desejava. Seu vestido preto e justo tinha
alguns rasgos depois das mãos ávidas dele agarrem-na, puxando-a de um lado para
o outro.
A respiração forte e
pesada dele parecia apenas aumentar de intensidade, era quase como se já desse
para sentir o hálito quente e com odor de álcool roçando em sua nuca e
queimando as narinas. O fôlego fizera as malas e fora embora dos pulmões, de
forma que gritar não era mais uma opção. As pernas se moviam ligeiras, numa
velocidade impossível para aquela garota, contudo todo o mundo trincou sob seus
pequenos pés descalços quando uma mão forte agarrou seu braço, sendo seguida de
pronto por outra que lhe tapou a boca, manchando mais o rosto com batom e
impedindo de uma vez por todas os chamados de socorro.
O homem mau era forte
demais. Cruel demais. Inumano demais. Ele abraçou por trás com toda violência,
esfregando seu corpo no da garota e começou a puxá-la para trás, lambendo seu
pescoço, mordendo sua orelha. Espernear não adiantou. Chorar também não. Morder
os dedos dele até sentir seu sangue amargo só conseguiu fazê-lo gargalhar.
Ah pequena garotinha... Você será minha, só minha...! Para sempre!
Entre um carro e
outro havia alguns papelões espalhados, quase que planejados para tal situação.
A garota foi jogada ao chão, rasgando a pele dos cotovelos e braços sem
qualquer piedade. Tudo nela era só dor e desespero. A carne parecia presa aos
ossos por toneladas de concreto. A voz queria sair de sua garganta, porém
nenhum som era emitido, além da respiração pesada dele.
O que restava do
vestido foi feito em farrapos por mãos fortes, brutas e cruéis com apoio de
dentes afiados e ferozes. O brilho de uma faca iluminava o sorriso diabólico do
homem mau, deixando-o ainda mais assustador. As pernas frágeis e cansadas foram
forçadas e abriram espado, revelando a veste íntima. Ele empurrou dois dedos
para dentro dela sem a menor clemencia, rasgando a roupa e já a machucando
levemente. Num último clamor a pequena mulher gritou por socorro, mas nada
aconteceu, ninguém poderia mais impedi-lo.
Sua gargalha parecia
cortar os tímpanos dela enquanto puxava de volta os dedos molhados do interior
dela, esfregando-os no corpo ferido. Ele desceu suas calças e puxou qualquer
vestimenta que pudesse atrapalhá-lo. A dor era terrível, indescritível, ficando
pior a cada novo movimento dele. Ele estava debruçado sobre ela, usando seu
corpo para prendê-la no chão. O sofrimento era lacerante, parecia rasgar cada
centímetro de seu corpo bem devagar. Torturava. Queimava. Lacerava. Destruía...
Chegou a parecer que ele usava a faca para rasgar seu corpo ao meio.
Suas unhas pintadas
estavam todas quebradas e sangrando depois de tanto bater nele tentando se ver
livre de seu agressor demoníaco, mas de nada serviram. O veneno dele escorria
pelo corpo dela, queimando seu interior como um ácido forte.
Só minha, para sempre!
Ele levantou-se e pegou a faca, olhando no
fundo dos olhos dela, pronto para rasgar seu coração ao meio e foi então que ela voltou á realidade, quase
caindo para trás na cadeira em que estava sentada e de onde encarava o seu
futuro agressor. Teria sido culpa daquela quantidade exagerada de drinks? Ou
era realmente um aviso do futuro? Mesmo assim ela não quis saber e foi embora
da festa, deixando seus amigos para trás e embarcado direto em um táxi, fugindo
para sua casa, trancando a porta e passando o resto da semana sem esquecer
aquele devaneio assustador, a marca do estupro estava nela para sempre.
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